Em todo o mundo, milhões de pessoas passam fome, enquanto o desperdício de alimentos, desde a produção, até a mesa das pessoas, se mostra gigantesco, a medida que observamos o recolhimento de resíduos, pelas empresas que atuam nesta área, em todos as cidades.
E uma situação que precisa ser revista, com urgência! Campanhas de conscientização, mudança de conceitos e atitudes, são algumas das formas como podemos atuar, para diminuir a fome no mundo.
Ao longo de todo 2016, muitos projetos ao redor do mundo desenvolveram soluções criativas para resolver o problema do desperdício de comida, que ano após ano é responsável por descartar toneladas de alimentos por diversas razões. Entre as ideias que tiveram maior repercussão, a rede de supermercados Sainsbury chamou atenção por colocar em prática um projeto inovador e altamente funcional.
Em parceria com a principal recicladora de resíduos alimentares do Reino Unido, a ReFood, a rede varejista decidiu criar uma alternativa que pudesse aproveitar restos de alimentos não vendidos nas prateleiras.
Com essa ideia-base, as duas empresas desenvolveram um sistema de geração de energia própria, fazendo uso desses resíduos de alimentos.
Para viabilizar o projeto, os responsáveis pelo sistema explicam que todo material recolhido passa por um processamento, onde é convertido em gás, calor e até em fertilizantes nas instalações da ReFood na unidade de rejeição anaeróbia. Quando os resíduos são transformados em gás verde, empresas terceirizadas fazem a distribuição para toda as lojas da Sainsbury.
Para se ter uma ideia, o volume de energia gerado durante um ano seria capaz de energizar até 5000 residências durante o período, ou o equivalente a 10% do consumo total de gás das lojas da rede.
Um dos resultados da ação, que vem sendo implantada desde 2015, é o aumento significativo do uso de energia renovável de mais de 10 unidades da Sainsbury, o que representou uma grande economia nas contas da empresa, além da redução de desperdício de alimentos. A expectativa dos idealizadores para os próximos anos é de aprimorar o sistema e criar novas soluções voltadas para a reciclagem de alimentos e resíduos.
Vou começar a coluna brigando com as palavras. No Brasil, ficamos de cabelos arrepiados ao ouvir o termo asilo, que remete à imagem de um depósito de velhos. Já a expressão neutra, ou politicamente correta, é impessoal: instituição de longa permanência para idosos (ILPI no jargão dos que lidam com a questão). Prefiro comunidade de idosos, mas com uma missão: de que este seja um lugar estimulante e de convivência prazerosa. Uma fantasia? Algumas iniciativas bem sucedidas mostram que não. Em Cleveland, nos EUA, uma instituição dessas – que lá são chamadas de continuing care retirement community, ou seja, focando nos cuidados contínuos, e não na longa permanência – oferece vagas para alunos do Cleveland Institute of Music. Os estudantes não pagam aluguel e, em troca, são voluntários em eventos e regularmente fazem apresentação para os internos. Verdade que os idosos que vivem na Judson Manor, onde antes funcionava um hotel, têm um padrão de vida muito mais elevado que seus pares brasileiros. Há apartamentos para os moradores que conservam sua independência e que podem inclusive cozinhar, além de opções para quem precisa de atenção especial. Mas por que não podemos replicar a experiência aqui?
Na cidade de Deventer, a duas horas de Amsterdã, a Humanitas tem 160 idosos e hospeda seis universitários. Os estudantes também não pagam aluguel e, em troca, dedicam 30 horas por mês aos internos. Considerando que os jovens daquele país gastam, em média, 400 euros por mês de aluguel, é um ótimo negócio para eles. Os universitários empregam seu tempo ensinando novas habilidades para os mais velhos, principalmente na área de tecnologia: mandar e-mails, usar Skype e redes sociais. Preparam refeições e fazem compras, mas simplesmente bater papo é o que faz a diferença, já que estudos comprovam que a solidão está relacionada ao declínio mental. Interação social faz bem para a saúde em qualquer idade – começa com um bom dia, passando por rir de uma piada – mas a vivência intergeracional também enriquece os mais jovens. Desde que foi implantado, em 2012, o modelo da Humanitas foi adotado por mais duas entidades na Holanda e programa similar foi introduzido em Lyon, na França. Gea Sijpkes, responsável pela comunidade, resume o espírito do lugar: “a iniciativa melhorou a qualidade de vida nesta casa. Com os estudantes, os mais velhos sentem como se o mundo exterior chegasse a eles”.
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) realizou, em 2011, o primeiro levantamento nacional sobre instituições para idosos. Dois terços delas estão concentradas no Sudeste, sendo que 34% em São Paulo, abrigando um total de 83 mil pessoas. A maior parte é composta de entidades filantrópicas e há apenas 218 asilos públicos, sendo que mais de 70% dos municípios não dispõem de qualquer serviço deste tipo. É inevitável que alguns idosos cheguem a um ponto em que não podem mais cuidar de si mesmos. A assistência numa comunidade de idosos é mais cara do que a oferecida na própria residência da pessoa – infelizmente, ficar em casa às vezes se torna inviável até por uma questão de segurança – mas é muito mais barata do que a assistência hospitalar. Resumo da ópera: o caminho que temos pela frente é bem longo.
A lista dos 50 países com menores índices de obesidade do mundo está cheia de nações que lutam contra a pobreza, a fome, a falta de segurança - ou tudo isso ao mesmo tempo. Mas no 38º lugar, entre Mali e Zimbábue, um país se difere do resto.
Com apenas 3,7% de obesidade entre a população adulta, o Japão é, de longe, a nação desenvolvida com taxas mais baixas.
Se o país for comparado a outros membros do G8 (grupo de nações com as economias mais industrializadas do planeta), as diferenças são gritantes: Alemanha, França e Itália têm entre 21% e 22% de obesos na população, Reino Unido tem aproximadamente 26% e os Estados Unidos, quase no outro extremo, registram 33,6%.
Para efeito de comparação, o Brasil tem 17,1% de obesos entre a população.
A BBC Mundo, serviço da BBC em espanhol, conversou com Katrin Engelhardt, especialista em nutrição da OMS (Organização Mundial da Saúde), sobre o sucesso japonês em manter níveis baixos de obesidade e sobrepeso em todas as idades da população.
Por trás dos bons resultados, destaca Engelhardt, há um governo comprometido com políticas para manter o sobrepeso sob controle, investindo muito em programas de nutrição e educação para a saúde.
Todas essas medidas fazem parte de uma campanha nacional chamada "Saúde Japão 21".
Para começar, entenda duas leis específicas que ajudam a garantir a boa saúde no país e a frear a obesidade:
Lei Shuku Iku, para a educação das crianças
"Essa lei tem um nome bem profundo", explica Engelhardt. Shuku faz referência à comida, à dieta e ao ato de comer, enquanto Iku se refere à educação intelectual, moral e física.
O objetivo dessa regra é aumentar a informação dos estudantes sobre a cadeia alimentar, a procedência e a produção dos alimentos, além de exigir educação sobre nutrição desde os primeiros anos de escola até o nível secundário.
Vigente desde 2005, a Lei Shuku Iku determina processos como cardápios saudáveis nas escolas e contratação de nutricionistas profissionais que também tenham formação como professores para dar aulas específicas sobre alimentação.
Além disso, a lei prega a promoção de uma cultura social ao redor da comida. O que isso significa: as crianças são estimuladas a preparar e compartir alimentos nos colégios.
Na hora das refeições, as salas de aula são transformadas em uma espécie de restaurante. As crianças ajudam a por a mesa, servem umas às outras e comem todas juntas.
A ideia é transmitir a mensagem de que "comer é um ato social", diz Engelhardt.
Além disso, segundo a especialista, não há quiosques ou máquinas de comida dentro das escolas, o que faz com que os alunos dificilmente consigam encontrar lanches que não sejam saudáveis, com batatas fritas ou bebidas açucaradas.
Lei Metabo, para controlar o peso em adultos
Outra legislação que a especialista destaca para explicar o êxito japonês é a Lei Metabo (de metabolismo), que estimula adultos entre 40 e 75 anos a fazerem uma medição anual da circunferência abdominal.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma circunferência de mais de 94 cm para homens e mais de 80 cm para mulheres traz mais risco de complicações metabólicas, como doenças cardiovasculares.
Essas medições são feitas pela administração pública e também por empresas.
"Os empregadores têm um dia anual claramente identificado, quando todo o pessoal precisa medir a circunferência da barriga", afirma a especialista da OMS.
Se as medidas não forem saudáveis, as empresas estimulam os empregados a participarem de sessões de apoio e a fazerem mais exercícios.
O objetivo da lei é estimular os adultos a serem mais conscientes sobre a importância de um peso saudável e da prática de atividades físicas.
A lei prevê ainda o seguinte:
- As companhias estimulam que trabalhadores façam exercícios durante seus horários livres. Algumas inclusive têm ginásios ou quadras de badminton para que os empregados possam se exercitar facilmente na hora do almoço ou depois do trabalho;
- Os funcionários são estimulados a chegar ao trabalho caminhando ou de bicicleta, e o governo promove segurança nas ciclovias para estimular o exercício.
Comida tradicional e porções pequenas
Mas além das leis específicas, há peculiaridades culturais que ajudam aos japoneses a se manterem no peso.
Como em outras sociedades asiáticas como a Coreia do Sul, que também tem um índice de obesidade bem baixo (4,6%), no Japão se dá muita importância à comida tradicional.
"A ênfase está na comida recém-preparada e produzida localmente", destaca Katrin Engelhardt.
Os japoneses têm muito orgulho dos pequenos terrenos e das hortas urbanas onde produzem alimentos na forma natural.
"Em algumas culturas asiáticas, a comida sempre foi vista como algo quase medicinal", diz a especialista. Além disso, ela destaca um fator cultural que também impacta: eles historicamente preferem porções pequenas.
"Nos eventos familiares japoneses, na cozinha tradicional, são servidos muitos pratos em porções pequenas, cheias de vegetais e comida muito fresca", explica Engelhardt.
Enquanto isso, por exemplo, em algumas ilhas do Pacífico que têm índices de obesidade mais altos do mundo, como Tonga, Palau, Nauru, Niue e Ilhas Cook (mais de 40%), as porções são gigantescas, combinadas com índices de atividade física extremamente baixos.